Koko Be Good – não é fácil ser boazinha

“As páginas têm cor de outono”. Essa foi a primeira coisa que pensei ao abrir “Koko Be Good”. Pra começar, eu aviso: caso espere uma crítica neutra, isenta de sentimentos, procure no Google pelo título e, provavelmente, você vai encontrar. O que farei daqui para baixo será contar nada mais que minhas sensações ao ler esse quadrinho. E deixo claro que meu objetivo não é escancarar toda a história. É, na verdade, te mostrar que essa leitura vale a pena. Minha primeira pergunta é: já pensou em mudar o mundo? Pois eu não imagino outro tema para “Koko Be Good”. Ninguém consegue uma mudança tão grande, claro, mas poucas pessoas tentam de verdade. Acredito que tem que partir de pequenos gestos que, feitos por muitos, alcançam boas alterações. Mais que isso, trata-se de liberdade para fazer suas escolhas. E aqui a minha segunda pergunta: o que você quer para seu futuro?

No quadrinho, a americana Jen Wang mostra tudo isso e mais um pouco. Difícil acreditar, inclusive, que este foi o álbum de estreia dessa autora, que está no auge dos seus 20 e alguns anos. A história gira em torno de dois personagens e de como um encontro entre eles pode fazer a diferença na vida um do outro.

Jon Wilgur, ou só Jon mesmo, é certinho, bem como a sociedade dita. O cara tava disposto a fazer algo que seus amigos não esperavam dele (algo que não vou contar, mas que você descobre já nas primeiras páginas), sempre com muita organização e cuidado. Ele tinha traçado um plano. Sabia o que viria depois. Tava fácil, ele tinha até um modelo a seguir. É assim que é ser certinho, né?! Fazer planos e cumprir os passos ditados por você (ou por outra pessoa). Acontece que ele não tinha se questionado verdadeiramente sobre isso.

Koko, bem diferente, não tinha plano nenhum. Ela só ia vivendo, e já estava de bom tamanho. Não que fosse uma pessoa inerte, mas uma pessoa fora dos padrões, eu diria. Seu cabelo nem sempre está arrumado, suas roupas são, no mínimo, diferentes, e suas atitudes são as consideradas como piores. Acho que a Koko é meio carente, mas admiro sua personalidade forte. Só que certo dia ela resolve ser o que ela chama de “boazinha”.

Não vou te contar como eles se conheceram, nem todo o rumo que a história toma, mas queria pelo menos mencionar uma conversa que houve entre os dois. Acho que foi bem aí que tudo mudou. Quando digo aí, digo a partir da página 70 (até a página 85) da publicação brasileira, feita pela Editora Barba Negra. Aliás, “Koko Be Good” é recheado de bons diálogos. Muitas vezes bem simples ou até silenciosos, mas diálogos claros e específicos. Os desenhos são lindos e expressivos, de forma a fazer com que o leitor se sinta parte da história. Provavelmente você se verá em Jon ou em Koko por algum momento, não importa sua idade, cor e sexo. Ou pode se ver no que os dois são quando estão juntos. Não sei bem se é uma relação de amizade ou se é uma relação de admiração. Se bem que amizade não existe sem admiração, né?!

Resumindo: é um quadrinho, de leitura rápida, que conta, com simplicidade, sobre coisas complexas. O restante, só você lendo. Espero que concorde comigo quando digo ser uma boa leitura. Mas também vou gostar caso você discorde. O Popeando é o espaço perfeito para termos essa conversa. O que você tem a dizer?

Ah! Antes que diga alguma coisa, queria te passar uns links. Três, para ser exata.

*Mais sobre o quadrinho (em inglês)
Minha nota: 10! 
Pitacos da equipe Popeando:
Edgar:  O que mais marcou enquanto lia “Koko be Good” foi a sutil sensação de desconforto e inquietude que me acompanhou durante a leitura. De repente, lá estava eu me sentindo nostálgico, repensando escolhas, rememorando a vida, querendo fazer diferença. A relação com a estação do outono, feita pela Samara, não poderia ser mais adequada. “Koko be good” é exatamente igual ao outono. Sereno e de uma “gostosa melancolia”.

4 respostas em “Koko Be Good – não é fácil ser boazinha

  1. Fiquei tão interessada quando li isso que revirei sites e mais sites atrás de uma leitura rápida ou de um download de horas mesmo, tanto faz, e nada… O máximo que deu pra conseguir foram umas 30 páginas, só o suficiente pra querer mais ainda ler isso. Concordo com o “visu” de outono, me lembrou até algo bem antigo mesmo, fora que deixou a história bem suave, o que soa como uma contradição legalzinha ao “sutil sensação de desconforto e inquietude” dito pelo Edgar…
    Realmente, to louca pra continuar lendo (:

    • Leia mesmo, Jake! Mas prometa que virá aqui novamente para me contar o que achou, viu? Depois que fiz esse texto, fiquei pensando se as pessoas vão sentir o mesmo ao ler. Isso que o Edgar falou foi algo que esqueci de colocar no texto, mas que sinto o mesmo. Fiquei me questionando depois de Koko!! 😀

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