Pressione Start, Jogador Número 1!

Por: Wagner

Quando me falaram sobre a premissa de Jogador Número 1, fiquei completamente interessado: num futuro não muito distante, acontece uma competição virtual cujo prêmio poderia mudar os rumos da sociedade. Para vencê-la, seria preciso mergulhar de cabeça na cultura pop da década de 1980. Eu não precisava de mais nada, comprei o livro poucos dias depois, esperei até ter uma tarde livre, coloquei meu visor e minhas luvas de realidade virtual e entrei pela primeira vez no OASIS.

O universo proposto por Ernest Cline não está muito distante de nossa realidade. Fome, pobreza, falta de energia e violência são alguns dos adjetivos que descrevem o mundo em que vive Wade Watts, um jovem de 18 anos. Para fugir dessa triste realidade, não são poucas as pessoas (incluindo Wade) que recorrem à realidade virtual oferecida pelo OASIS. Lá as possibilidades se tornam infinitas e cada um pode ser e viver como sempre sonhou.

Quando o criador e dono desse mundo virtual, James Halliday, morre, deixa um testamento em vídeo convocando todos para uma caçada à sua fortuna e ao controle da empresa GSS. Além disso, deixa também pistas sobre a localização do prêmio e um diário com diversas informações sobre sua vida. Estava aceso o estopim que faria o mundo se voltar para a busca das três chaves que abrem os três portões.

O livro apresenta algumas ligações com outras obras, que são imediatamente estabelecidas por quem as conhece. A principal semelhança que encontrei foi com One Piece. Um tesouro escondido, milhões à sua procura e a transformação da sociedade devido a tal busca. Outro paralelo pode ser traçado com os acontecimentos em Quem Que Ser Um Milionário, em que a experiência prévia do personagem principal é a chave para que ele consiga superar os desafios necessários.

Por incontáveis vezes, peguei-me pesquisando sobre as referências citadas ou escutando as músicas importantes para a história. Para entrar de vez no clima, tive que reviver minha discografia do Rush e até mesmo curtir Oingo Boing e sua Dead Man’s Party. Os jogos mencionados são um show a parte, fazendo do livro um guia (guardadas as devidas proporções) muito interessante sobre a origem dos jogos, computadores e videogames. Não joguei a maioria, mas já me via conversando sobre eles com meus tios para saber suas lembranças da época. Por fim, mas não menos importantes, estão os filmes. A Vingança dos Nerds e Blade Runner são exemplos das inúmeras obras citadas pelo autor.  Clima de nostalgia total!

A narração em primeira pessoa contribui para a imersão do leitor, deixando os momentos cruciais ainda mais tensos. Ao longo da narrativa, nos vemos tentando resolver os enigmas antes mesmo de Parzival. Aposto que muitos, como eu, conseguiram colocar seu nome no Placar pelo menos uma vez.

Infelizmente, a obra apresenta algumas falhas que atrapalham (e muito) a leitura. Não são raros os momentos em que vemos palavras com a grafia incorreta. Para mim, no entanto, o maior problema é a tradução de alguns termos. Ler Ovo de Páscoa (easter egg) e saber de luz, apenas para exemplificar, corta o clima de qualquer um…

Jogador Número 1 não é só um livro. É uma ode aos anos 80 e uma experiência fascinante. É uma pena não haver a possibilidade de uma continuação direta. Pelo menos existe esperança em sua adaptação para o cinema, uma vez que seus direitos já são da Warner.

Pra quem quiser conhecer mais sobre o mega nerd autor, Ernest Cline, é só visitar sua página oficial. Para mais informações sobre o livro, é só clicar aqui.

Avaliação do Editor

Resumindo: Quero um DeLorean e um Megazord!

Nota Final: 8

Pitacos da equipe Popeando:

Edgar: Esperto foi o Ernest Cline que percebeu que nostalgia vende! E no caso de Jogador Número 1, o livro basicamente se resume a isso. A trama é beeeeeeem bestinha, os protagonistas não possuem carisma e nem os vilões salvam. O livro para mim serviu mais como um manual de “quitação de dívidas”, que como uma narrativa de qualidade, propriamente dito. Usei a obra de Cline para assistir/ler/jogar obras que há tempos vinha negligenciando. Acreditem ou não, até antes de Jogador, não havia assistido o clássico da sessão da tarde, Curtindo a vida adoidado, por exemplo. Como enciclopédia dos anos 80, uma boa pedida!

Anúncios

4 respostas em “Pressione Start, Jogador Número 1!

  1. Quando estava rolando na blogosfera literária que este livro era um deleite para todos os leitores nerds eu sinceramente não acreditei. Contudo, ao ler a resenha e sentir uma vibe meio Tron o Legado, já adicionei o livro na minha estante do Skoob. Como, em face do meu blog, leio muito, sei como é pegar um livro com traduções erradas e erros gramaticais. É broxante. Parabéns pelo blog e pela iniciativa. Temos vários blogs falando sobre cultura pop, mas os que são considerados bons são poucos e o seu acabou de entrar para a lista XD.

    Abraços,
    Matheus Braga
    http://www.vidadeleitor.net/

    • Oi, Matheus! Fico feliz que gostou. Agora no período de férias espero ter mais tempo para ler e escrever algumas resenhas. Abraço,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s