Game of Thrones – Segunda temporada

O quinto livro está aí! Com um capítulo inteiro faltando, mas está aí! Além disso, a segunda temporada terminou recentemente na HBO e começam a pipocar notícias sobre a filmagem da terceira temporada. Então, nada mais natural que o Popenado tecer comentários sobre uma das séries que mais vem movimentando a TV americana!

Ousadia é algo que pouco se vê hoje em dia. Seja no cinema, nos games, nas HQs e, principalmente, na TV, são raras as vezes que vemos essa ou aquela empresa arriscar em alguma propriedade intelectual. Afinal de contas, é bem mais fácil recorrermos aos modismos, aos nomes já estabelecidos e às fórmulas que ainda dão algum caldo.

Com os seriados isso é mais perceptível ainda! Ou temos séries de investigação “a la” CSI, ou séries assinadas pelo J. J. Abrams (não que o cara seja ruim, longe disso) ou as renovações intermináveis de temporadas dessa ou daquela série. Dificilmente aparece algo arriscado.

Geralmente, quando as emissoras americanas decidem arriscar, o fazem naquele período de “entre-safra”, onde as séries mais “popzinhas” estão de férias e elas precisam preencher o horário com algo que não sejam reprises e é, também, geralmente, nesses períodos que surgem algumas das séries que revigoram a TV. Homeland, MadMen e Breaking Bad estão aí para servir de exemplo. As emissoras de TV a cabo são as que mais se arriscam nesses projetos. Foram graças à redes como AMC e HBO que tivemos séries como Dexter, The Walking Dead e Damages.

Game of Thrones é mais um desses exemplos é, sem sombra de dúvidas, o projeto mais ousado a pintar na TV nos últimos anos.

Baseada nos livros de George R. Martin, as Crônicas de Gelo e Fogo, a obra segue a história da família dos Starks após alguns acontecimentos que influenciam, diretamente, cada um dos membros. Essa singela sinopse, na verdade, chega a ser injusta, uma vez que não cobre praticamente nada do que se trata, de fato, GoT.

A segunda temporada da série retoma diretamente de onde a primeira temporada parou:

ALERTA SPOILER – INÍCIO
Daenerys, a Filha da Tormenta, consegue eclodir os seus três ovos de dragão e as repercussões de tal fato começam a serem sentidas por toda Westeros, graças a um misterioso cometa vermelho que paira sobre o céu. Além disso, quatro reis disputam pelo Trono de Ferro e a Muralha se vê a frente um inimigo desconhecido.
ALERTA SPOILER – FIM

Uma das coisas mais interessantes nos livros de George R. Martin e, consequentemente, na sua adaptação para a TV é que o autor vai expandindo seu universo progressivamente. Se na primeira temporada, por exemplo, a ação se passou toda em Porto Real e Winterfell, a segunda temporada já apresenta um mapa bem mais extenso. Mesmo que em pequenos relances, ao leitor dos livros e espectador da série é apresentado o mundo pra lá da Muralha, às Ilhas de Ferro e a elegante Qarth.

É notável o capricho e o esforço da HBO e dos produtores para reproduzir essas locações. As Ilhas de Ferro são tão “frias” e salgadas quanto se esperava, a casa do Craster, pra lá da Muralha, é tão odiosa quanto descrito nos livros e toda a expectativa acerca da aura de mistério envolta em Qarth é correspondida.

Logicamente, com tantas novas locações, novos personagens surgem para incrementar todo esse universo, e quem mais ganha com isso é a intricada trama que permeia a série.

Dentre esse personagens, novos membros da Patrulha da Noite, alguns selvagens, como a Ygritte, o jovem Renly Baratheon e a truculenta Brienne de Tarth são algumas importantes adições, mas quatro personagens em especial roubam a cena.

Como não se envolver com o conflituoso triângulo formado pelos rei Stannis Baratheon, pelo contrabandista, Davos Seaworth e pela Melisandre? Ou como não se tornar fã imediato do fora-da-lei, Jaqen?

A transposição dos quatros personagens do livro para a série conseguiu captar o que há melhor em cada um deles, mesmo levando em consideração o pouco espaço de tempo para a aparição de cada.

Além dos novos rostos, antigas figuras merecem destaque nessa segunda temporada. O sangue Lannister continua a falar mais alto e a retirar dos espectadores as mais diversas emoções.

Impossível não odiar ainda mais o Joffrey e sua “adorada” mãe, Cersei.

Sem sombra de dúvidas, o personagem fixo mais admirável de Game of Thrones. Nem parece um Lannister.

Do outro lado, servindo como consolo para os odiadores da família dos leões, está o encantador (sim, encantador) Tyrion/Duende. O personagem em si já é cativante, mas a brilhante atuação do Peter Dinklage no papel do diminuto homem, perdão o trocadilho, engrandece ainda mais o personagem. Cada vez mais merecido o Globo de Ouro para o cara!

Por ter mais personagens e locações, a trama da segunda temporada pode parecer bastante corrida, confundir bastante quem acompanha e desmerecer um pouco esse ou aquele personagem. Nada mais natural, uma vez que os roteiristas tiveram que condensar quase 800 páginas em dez episódios de cinqüenta minutos. Esse problema acaba diminuindo a importância de alguns acontecimentos e personagens, mas é compreensível.

Mesmo assim, essa temporada reserva bastantes surpresas! Apenas não espere um episódio tão chocante quanto o episódio 9 da primeira temporada.

Theon Greyjoy é um dos principais responsáveis por uma das maiores reviravoltas da trama dessa segunda temporada.

E por falar em episódio 9, será que os produtores estão querendo transformar isso em tradição? Se na primeira temporada, Baelor, o episódio 9, é a referência, na segunda, BlackWater, também episódio 9, é o mais significativo.

Na verdade, justiça seja feita, uma crítica inteiramente separada deveria ser feita para esse episódio. A força e intensidade desse episódio já fazem valer a segunda temporada por completo.

O que conseguiu-se alcançar nesse episódio foi dividir completamente as emoções dos espectadores quanto ao resultado final da batalha. De um lado, Davos e seu senso de lealdade irretocável seguindo as ordens da misteriosa Feiticeira Vermelha e do Stannis Baratheon e lutando contra os Lannisters. Nesse momento, cada um dos que acompanhavam o destino da guerra, torciam, mesmo que minimamente, a favor do contrabandista pelo simples fato de ele estar indo em direção ao confronto com os Lannisters. E quem de nós não queria vingança nesse momento?

Do outro lado, o solitário Tyrion/Duende e seu deturpado, mas adorável, senso de honra, tentando cumprir suas funções e salvar a cidade. De repente, então, a gente se pega  torcendo contra Stannis (como assim?) e querendo que Porto Real seja salva.

Como side-story, ainda rola um vislumbre de humanidade na Rainha Cersei e de coragem na songa-monga da Sansa.

BlackWater escancara para todos que, na verdade, não existem heróis e vilões em Game of Thrones. Existem apenas personagens obstinados que perseguem o que querem: uma rainha que por mais detestável que seja, apenas quer a proteção dos filhos, uma pequena abominação que sempre encarou o desprezo das pessoas, em busca da salvação da sua cidade e do reconhecimento do pai, um ex-contrabandista que está disposto a sacrificar tudo por gratidão ao rei que um dia poupou sua vida e um cavaleiro que opta pela vida ao invés de defender um rei questionável.

BlackWater inteiro é memorável!

Isso sem contar a qualidade técnica do episódio. Na verdade, esse é outro trunfo da série. Tudo é tão bem trabalhado que Westeros se torna crível rapidamente.

Valar morghulis.

No entanto, nem tudo são flores e esse é o momento onde o leitor fala mais alto e critica algumas decisões tomadas pela produção. A primeira delas, mencionada anteriormente, está no desmerecimento de alguns personagens em função ao pouco tempo de obra. Cadê os diálogos repletos de ironia entre o Jaime e a Brienne, por exemplo? Cadê todo aquele jogo de intrigas entre o Duende, Varys, Mindinho e a Cersei? E queríamos mais Jaqen!

Outro problema, esse mais gritante, foi a ausência completa de alguns personagens. Entendo a decisão de deixarem alguns deles para a terceira temporada, mas os Reeds são de uma importância crucial para os livros seguintes e foram completamente desprezados. Os irmãos juramentados aos Starks estão confirmados na terceira temporada, mas a simples natureza dos dois e a função deles nas tramas dos livros seguintes em muito tem a ver com a forma que eles aparecem pela primeira vez.

Resta aguardar e ver qual a solução encontrada.

Se por um lado se perdeu com essas mudanças, outras em muito aprimoraram a saga e já preparam terreno para uma terceira temporada que promete! Uma temporada que irá contar com casamentos inusitados, alianças inesperadas e um jantar indigesto.

Quem leu os livros, sabe que “Tormenta das Espadas” é de tirar o fôlego e foi super acertada a decisão da HBO de dividir o terceiro livro em duas temporadas.

Enquanto a terceira temporada não vem, vá se preparando e ouça “Chuvas de Castamere”. A música tocou no final de BlackWater e será simbólica na temporada vindoura.

 

E prepare-se, pois, de fato, o inverno está chegando.

Avaliação final do editor:
Assistiria de novo: Comprando o Blu-Ray
Nota final: 8.5

Pitacos da equipe Popeando:

Samara: Game of Thrones criou uma divisão entre as pessoas. Lembrando que divisão não é o mesmo que separação. Atualmente existem os que leram o livro e assistem a série, os que só leram o livro (imagino que esse seja um grupo pequeno), os que só assistem a série e os que se recusam a ler e a ver também (atualmente conheço um membro desse grupo: Wagner!).

Faço parte de uma divisão específica dentro do pessoal que gosta da série, mas me recuso a ler o livro! Pois bem, este é o caso de apresentar um ponto de vista diferente do que foi apresentado pelo Edgar, que é fã dos livros, né?! Por exemplo: não senti falta de nada! haha.

Gostei muito da segunda temporada. Com o número de personagens crescendo e o mapa se expandindo, impossível não se var ainda mais dependente da curiosidade de saber o que vai acontecer. A chamada guerra te atinge de uma maneira intensa e você se ver torcendo para todos os lados. Guerra essa trava, muitas vezes, no silêncio ou em diálogos inteligentes. Eu digo o meu motivo: apesar de haver magia e acontecimentos que são improváveis no mundo real, os personagens são humanos. Humanos no sentido de se emocionarem e de, principalmente, errarem.

Se eu te falar que gosto da Rainha Cersei? Sério mesmo. E se eu te falar que não tenho a mínima paciência para o Theon Greyjoy? Pois é. Mas minha irmã, que assiste a série comigo, gosta de outros que eu não acho legais. Ao contrário do Edgar, por exemplo, eu odeio o Stannis. Cara bobo. Tudo isso só para te falar que GoT consegue alcançar a cada um de uma maneira diferente. E fez isso de forma sensacional nessa temporada.

Temporada essa que foi uma linda, mas, acredite ou não, menos tensa, para mim, que a primeira. Aquele lance com o Stark pai realmente me balançou. Não tirei isso da cabeça até hoje! O que aconteceu a partir daí não foi a série se enfraquecendo. Nada disso. A série só deixou claro que eu devia me preparar para qualquer acontecimento. GoT tenta te surpreender o tempo todo. E o melhor é que, na maioria das vezes, consegue!

Não vi defeitos escancarados nessa segunda temporada. Ela me prendeu de verdade. Quando uma série acaba e você fica se perguntando se vai aguentar esperar pela próxima aparição, pode saber que ela te pegou de jeito. Gosto de falar de GoT por ser uma forma menos dolorosa de esperar.

Adriano: Há algumas semanas, acabamos de acompanhar a segunda temporada de GoT, série que para mim, hoje em dia, é a melhor em circulação. Não é pra menos, baseada no livro de George R Martin, a série se baseia em fatos intrigantes e principalmente “fissuradores”,  o que me leva a, cada vez mais, esperar apreensivamente pelo próximo episódio.

Nessa segunda temporada, a trama não poupou nas revelações: desde à repercussão  dos nascimentos dos dragões da Daenerys, até uma épica guerra que me deixou boquiaberto, no fim da temporada.

Por mais inacreditável que seja, tivemos uma segunda temporada aonde a história do livro se manteve quase completamente fiel, onde atuações impecáveis te transportavam do livro para a série (e vice-versa) a todo momento.

Personagens novos como a misteriosa feiticeira do fogo, Melisandre, Davos e Asha, deixaram a série mais dinâmica. Além disso, personagens como Jaqen e Brienne de Tarth,  que colocam sua honra e lealdade em primeiro lugar, entraram na série para, aos poucos, garantirem seus espaços e serem odiados por alguns e amados por outros. No meu caso, por incrível que pareça, gosto de todos os personagens!

Além dos novatos, os “velhos de casa” cumpriram bem seu papel e a história reservou fatos que realmente me deixaram em êxtase! Incrível como o “babaca ” do Jofrey consegue ser cada vez mais odiado!

Além dele, e não menos importante, os momentos de Tyrion Lannister, o Duende, foram sensacionais! O personagem foi, com certeza, quem mais teve importância na trama dessa temporada. Sua paixão por Shae, seus momentos carregando Porto Real nas costas em sua guerra, seu exercício de Mão do Rei e sua lealdade invejável foram um grande adicional à temporada.

Espero uma terceira temporada tão boa quanto a segunda e ficarei ligado na série para não perder nenhum momento da trama!

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5 respostas em “Game of Thrones – Segunda temporada

    • Jurava que cê num tinha nem lido. Péssimo, né?! É o que me parece. Sei lá. Aparenta ser cansativo. Tenho mais coisas para ler! Mas você viu a série?

  1. Travei no segundo livro ainda! Mas também to gostando muito da série! Emoção a todo momento! Tyrion simplesmente sensacional.

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