O Espetacular(?) Homem Aranha

Tão polêmico e custoso quanto esse reboot foi nossa crítica do Espetacular Homem Aranha! Por algum motivo sobrenatural, nosso editor Edgar agarrou na crítica do filme e quase que o filme é lançado em Blu-ray e DVD sem o Popeando falar sobre o reboot. Mas ainda há tempo, certo? Confiram abaixo nossa crítica e nossos pitacos do filme!

O primeiro filme do Homem Aranha, 2002, mostrou para a indústria o filão que poderiam ser os filmes de super-herois no cinema. O filme de Sam Raimi contou com um universo que conseguiu agradar tanto aos fãs de longa data do herói aracnídeo, quanto aos novatos à serie. Depois do longa, as portas se abriram e uma enxurrada de boas (e más) produções deram, e continuam dando, as caras.

O Espetacular Homem Aranha é mais uma dessas produções e a nova empreitada da criação de Stan Lee nos cinemas. Dessa vez, ao invés de darem prosseguimento à história desenvolvida pela trilogia do Sam Raimi, optou-se por um reboot da franquia.

A história por trás da produção desse recomeço do Homem-Aranha é bastante curiosa: ele foi anunciado pouco tempo após o horrível Homem Aranha 3, em meio a rumores fortes de um Homem-Aranha 4, e toda a equipe por trás da primeira trilogia foi dispensada. Seguiram-se a isso declarações do diretor Sam Raimi lamentando a intromissão dos executivos da Sony em seu trabalho e alegando que isso interferiu bastante em todo o processo criativo de produção do terceiro filme.

Após o anúncio e a “demissão em massa” da equipe anterior, a Sony teve que lidar com o descrédito em relação ao projeto, com a negação inicial dos fãs por conta da escolha do ator que viveria o Peter Parker (a atuação do Tobey Maguire na trilogia foi pra lá de convincente) e com o receio do nome de Marc Webb para a direção. Afinal de contas, o diretor contava, naquele momento, em seu currículo com apenas “500 dias com ela” como filme de peso e era complicado imaginar um diretor “inexperiente” de filme de romance assumindo a responsabilidade de um reboot pra lá de polêmico.

Para tentar diminuir a animosidade e os “narizes torcidos” dos fãs, o filme passou a ser vendido como “a verdadeira história por trás do heroi” e como “a história nunca antes contada”. Ao mesmo tempo que buscava atingir a curiosidade dos que não leitores de HQ, que ficariam instigados a descobrir qual seria a verdadeira história, e a admiração dos leitores, que se sentiriam “recompensados”, tal estratégia pareceu um pouco pretensiosa, pois, de certa forma, sugeria que tudo que havia sido realizado na trilogia anterior não era verdadeiro.

No entanto, mesmo com todos os esforços e a competência dos envolvidos no projeto, uma pergunta resistiu e ficou no ar: seria esse reboot realmente necessário?

Sendo o mais direto possível, a resposta para tal questionamento seria sim… e não!  Acredite, essa é exatamente a sensação que se tem ao terminar de assistir a “O Espetacular Homem Aranha”. Isso ocorre principalmente devido ao fato de que o filme é uma coleção de acertos geniais e deslizes questionáveis.

Dentre os “acertos geniais”, é hora da “sessão pagação de língua”: Andrew Garfield. O “Eduardo de “Rede Social”” conseguiu derrubar toda descrença que se tinha quanto a ele encarnar Peter Parker e sobreviveu às inevitáveis comparações com o Parker de Tobey Maguire. De sua maneira, Garfield deu vida a um outro Peter, igualmente carismático e adequado.

Emma Stone é outro achado. Interpretando a “pra frente”, Gwen Stacy, a química entre a atriz e seu par romântico é um dos atrativos do filme. Além do mais, é boa a mudança de ares de “heroína”. O jeito despachado e confiante da personagem fez muito bem ao reboot.

Por fim, Marc Webb. O principal medo de quem acompanhou todo o histórico do reboot não aconteceu: o filme NÃO ficou parecendo um filme teenager de super-heroi. Curiosamente, no entanto, todos os seus “fofismos”, marca registrada de “500 dias com ela”, deram as caras no longa sem descaracterizá-lo. São essas “fofices”, inclusive, que em muito potencializam a química vivida na tela pelo casal de Andrew e Emma.

Gwen e Peter tem mais química nesse filme que Peter e MJ tiveram em toda uma trilogia.

Além disso, e principalmente por esse motivo, o diretor consegue fazer um trabalho digno levando em consideração o roteiro meia boca que ele teve que trabalhar. Tanto é que, atualmente, Sony e FOX tentam chegar a um acordo sobre quem terá o diretor. O contrato de Webb com a Sony garantia apenas um Homem-Aranha e, após a filmagem do longa, ele havia se comprometido a gravar algo para FOX. No entanto, com os planos para que “O Espetacular Homem Aranha” se torne uma nova trilogia, a Sony quer o diretor de volta à franquia. De qualquer forma, de nada adianta manter Marc Webb na direção da sequência se um trabalho mais apurado não for feito no roteiro, pois se existe uma grande falha em Espetacular Homem Aranha, é justamente essa.

Se analisada de forma crua, a origem do heroi narrada em Espetacular Homem Aranha é realmente muito mais interessante. Fala-se sobre os pais de Peter Parker, a descoberta dos poderes e a adaptação do estudante a eles transcorre naturalmente e o universo da HQ vai sendo pincelado aqui e ali, mas quando se aprofunda nessa análise, as imperfeições começam a brotar.

De quê adianta se propor a contar a verdadeira história, a verdadeira origem do heroi aracnídeo, se em seus pontos chaves, a trama resolve contar com a coincidência como solução? De quê adianta transpor para o filme a alma sarcástica e ácida do herói, se algumas soluções encontradas para os problemas dele parecem ser simples obras do acaso?

É realmente ótimo ver os lançadores de teia, ver um Peter Parker que se aproxima muito mais ao personagem da HQ, se sentir nostálgico com as “tiradas” do mascarado com seus inimigos e ver todo o esforço de se manter mais fiel possível à obra, mas as soluções fáceis e situações clichés acabam comprometendo gravemente a diversão do filme.

É justo aí que, perdoem o trocadilho mais do que batido, o “Espetacular Homem Aranha” deixa de ser espetacular para se tornar apenas mediano. É justamente esse ponto que acaba por deixar um gosto menos doce na boca ao final do filme. Além do mais, comparações com os originais “pré-reboot” sempre acontecem e, graças a esse roteiro meio furado, acaba-se constatando que a empolgação sentida ao sair do cinema em 2002, foi infinitamente maior do que a que sentida dez anos depois.

O grande problema na verdade é que esse deslize realmente “borra” a imagem final do filme e a direção, o 3D (original e não convertido) imersivo, as boas cenas de ação e o casal de protagonistas acabam por ficar em segundo plano.

A impressão que fica é que o primeiro filme da nova trilogia serviu mesmo apenas para tentar apaziguar um pouco da decepção que o péssimo Homem Aranha 3 deixou, pois como recomeço marcante e, até mesmo, como “filme do Homem Aranha” ficou faltando alguma coisa.

De qualquer forma, as estruturas para a nova trilogia estão todas lá (até rola uma cena pós-crédito!) e elenco e direção, caso Sony e FOX cheguem a um consenso, o filme tem!

Avaliação do editor Edgar:

Assistiria de novo: esperando chegar na locadora

Durante o filme: me senti em um montanha-russa com as tomadas em primeira pessoa em 3D. Doido demais!

Aspectos burocráticos: 8

Nota final: 7

Pitacos da equipe Popeando:

Adriano: Muitos até podem criticar e encontrar muitos defeitos no novo filme do Homem Aranha, mas mesmo após tanta reclamação, ainda mantenho o mesmo ponto de vista sobre o filme: sensacional.

Podem achar que é um pouco de exagero da minha parte, mas não estou olhando apenas para o filme em si, e sim todo um contexto, onde se teve que “recriar” um dos maiores heróis do mundo, com uma história praticamente nova. Sem contar toda a pressão da crítica antes durante a produção do filme e, principalmente, o fato desse novo longa ter de recuperar o nome do Homem Aranha após uma saga mal terminada da série criada há anos atrás.

O filme é muito bom. Possui algumas falhas evidentes como a racionalidade exagerada do Lagarto e as ocasiões aonde o mundo fica a favor do Spider e acabam resolvendo os problemas do heroi, mas, no geral, as boas atuações e direção brilham.

Nota 8 para o filme, onde o 3D valeu a pena, o que é difícil encontrar hoje no mercado.

Samara: Essa foi a primeira vez que vi o verdadeiro Peter nas telas. E foi a primeira vez que vi o Homem-Aranha também. Pelo menos do jeito que sempre esperei. Logo depois de assistir o filme, tive que ouvir frases como “fizerem um aranha boy demais”. Só posso dizer que nunca leram nada do herói. Se leram, eu pergunto: quais HQs? Apesar de pensar assim, não acho que é preciso ver um filme comparando o tempo todo com o que acontece (ou não) nos quadrinhos. É impossível um filme totalmente fiel. Em geral, os que mais se aproximaram foram ruins!

Houve cuidado com a caracterização dos personagens e com a relação entre elas. Foi o que mais gostei no filme, principalmente Gwen e Peter. Era o que eu mais esperava ver e não fiquei decepcionada. Na HQ, os dois travam algo forte (inevitavelmente rápido), que me fez preferir a loira. Sim, a Gwen é mais legal que a MJ!

Agora todo mundo resolveu exaltar o primeiro filme da trilogia de Sam Raimi. Só que não há comparação, gente. Ele me diverte, vi algumas vezes, mas não mexe comigo. O que mais me incomodava finalmente mudou: o Peter não é só um bobão sem saber o que fazer. Tobey Maguire convincente? Mesmo, Edgar??

Mas, infelizmente, o Espetacular Homem-Aranha deixou pontas, teve falhas, não foi tão encantador quanto o meu esperado. Apesar de me emocionar, como eu já imaginava que aconteceria em se tratando de Gwen e Peter, também notei falhas de roteiro. Mesmo assim, o filme continua Espetacular. Gostei muito e estou mega otimista para o próximo.

Aaaah! Já vi mais de uma vez no cinema. O 3D não é isso tudo! 😛

Wagner: Esse filme não é lá grandes coisas, mas é o melhor sobre o Homem-Aranha até agora. Tem gente que prefere o segundo filme, eu não. Finalmente conseguiram dar cabo daquela insuportável e sem sal Mary Jane e colocar alguém mais divertida. Desaparecer com o Tobey também foi uma decisão mais do que bem vinda. Eu mesmo já não suportava aquela cara de babaca com dores que ele fez durante toda a trilogia. O cara do filme do Facebook também não é o maior ator de todos os tempos, mas serve. As cenas de ação ficaram boas e os diálogos são melhores do que eu esperava. Um Peter com cérebro faz toda diferença, em minha opinião.

O 3D, exatamente como em qualquer filme que já existiu ou venha a existir nos próximos 300 anos, não acrescenta (nem acrescentará) nada. As pessoas tentam se enganar dizendo que tiveram uma imersão ou uma experiência diferente da que teriam com um filme 2D. Pura balela. Acho que estão tentando é justificar o preço absurdo do ingresso. Ao invés de melhorar o som, as poltronas, segurança e serviço dos cinemas, as empresas preferem investir nesse 3D desfocado e inútil.

Uma vez que fui ao cinema sem esperança de um filme ao menos razoável e também achando que seria cheio de cenas em primeira pessoa, tive uma grata surpresa. Infelizmente, depois que certa pessoa começou a dirigir filmes de herói, as coisas estão num patamar muito mais elevado. O pessoal da produção e direção ainda vai ter que malhar muito pra fazer um filme à altura do personagem. Nota 7,5.

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